Comunidade Guna Dule no Panamá: História, Identidade e Cosmovisão

Uma das comunidades indígenas mais representativas do Panamá, os gunas são um exemplo de luta pela soberania e pela proteção dos territórios e do meio ambiente. Aprenda sobre sua cosmovisão e história marcante em uma experiência cultural imersiva visitando uma das paisagens mais deslumbrantes do Caribe panamenho.

No total, o povo guna tem três comarcas: Guna Madugandí, Guna de Wargandí e Gunayala. Também conhecida como San Blas, a comarca de Gunayala é um arquipélago na costa leste do Caribe panamenho e a mais visitada das três. Com mais de 365 ilhas e ilhotas de areia branca, mar turquesa e coqueiros, é o cenário ideal para viver o Caribe de uma perspectiva única.

O Povo Guna

O povo guna no Panamá chegou à região no final do século XVI migrando de territórios vizinhos. Embora fosse um povo em constante movimento, ele encontrou um lar para se estabelecer de forma permanente ao chegar às florestas e ao litoral de Darién. 

Após séculos de perseguição e luta por sua identidade — primeiro contra a conquista espanhola e, depois, contra o governo do Panamá independente —, os gunas realizaram um dos feitos mais importantes para as comunidades indígenas da região.

Mulheres da comunidade Guna confeccionando molas artesanais tradicionais

A Revolução Guna

Liderada por Nele Kantule e Simral Colman, a Revolução Guna ocorreu em 1925. Foi uma luta contra a opressão do governo, que buscava homogeneizar o povo panamenho apagando as tradições ancestrais.

Com essa revolução, os gunas conseguiram algo impensável até então: independência administrativa e legal sobre seu território. O que começou como um levante e seguiu como uma tentativa de nação independente terminou na criação do conceito de comarca, um território liderado, administrado e regido por leis indígenas, embora como parte do Panamá.

Esse momento histórico foi um exemplo de sucesso replicado em outras comunidades indígenas do país e da região. Além dessa luta e do seu significado para a história panamenha, a cosmovisão e a cultura guna são essenciais para entender o que nos define como país.

 

Guna Traditional Dance, Gunayala, San Blas Archipiélago

Cosmovisão e Organização

O sistema de crenças do povo guna no Panamá se fundamenta na conexão total com a Mãe Terra, criada por Babdummad e Nandummad (o Grande Pai e a Grande Mãe). Essa visão coloca o ser humano em posição de igualdade perante todos os seres do planeta e do cosmos, razão pela qual toda a natureza deve ser respeitada e protegida.

 

Essa ideologia permitiu que as comarcas gunas mantivessem algumas das paisagens mais naturais e florestas mais bem preservadas do país. 

 

Ainda que muitos costumes ancestrais tenham se adaptado ou transformado com o passar dos anos, os seis Sagladummagan (caciques) — três no Congresso Geral de Gunayala e três no Congresso Geral da Cultura — se encarregam de manter a identidade viva e proteger os direitos e obrigações da comunidade e seus territórios.

 

Os Silamar (guias e historiadores) transmitem a história e os valores de sua identidade por meio de cantos e relatos orais, ao passo que os Sagladummagan exercem a liderança como caciques.

Guna Woman, San Blas Archipelago

Vestimenta e Simbolismo

A cultura guna é muito rica em expressões artísticas. Esse povo é representado por grandes poetas, cantores, artistas plásticos e cozinheiros, mas um elemento ganhou especial destaque: a mola.

 

As molas panamenhas são a vestimenta representativa das mulheres, que lideram a preservação de sua identidade e valores. A mulher guna tem e demonstra orgulho de suas origens. Essas peças têxteis adornam a frente e as costas dos vestidos tradicionais.

 

Os desenhos coloridos das molas representam animais sagrados ou histórias de origem cosmogônica, baseadas em um sistema de crenças e na importância da Mãe Terra e da Abiyala, nome do continente americano em língua guna que é adotado e utilizado por diferentes comunidades do continente.

 

Hoje em dia, a mola também é parte fundamental da economia do povo guna no Panamá. Esse tipo de artesanato se tornou muito conhecido e valorizado por sua beleza e cores chamativas. Os desenhos são tão especiais que cada peça é única e conta com detalhes especiais da artesã que a confeccionou; não há duas molas iguais. Se quiser levar uma mola para casa, você poderá comprá-las tanto nas comarcas gunas como nos mercados de artesanato na Cidade do Panamá e em todo o país.

Mujer de la comunidad muestra una Mola tradicional a un par de visitantes.

Economia

O povo guna tem uma longa tradição de comércio, com uma economia baseada na pesca, agricultura, artesanato e turismo. O sucesso econômico e a autodeterminação são valores profundamente enraizados entre eles, o que lhes permitiu existir de forma independente por tanto tempo.

Mujer caminando sobre el tronco de una palmera en la playa de San Blas, Guna Yala en Panamá.

O que Você Viverá ao Visitar Gunayala?

Visitar as comunidades gunas envolve uma viagem ao arquipélago de Gunayala, também conhecido como San Blas. Não se trata de uma típica viagem turística comercial pelas ilhas caribenhas, mas sim de uma experiência cultural em um contexto de turismo comunitário e ecológico.

 

Visite praias intocadas, passeie por piscinas naturais perfeitas para a prática de snorkeling, hospede-se nas ilhas em cabanas rústicas com teto de palha à beira-mar ou sobre a água, alugue uma rede ou acampe. Todos esses são planos ideais para apreciar plenamente a natureza.

 

Quem deseja conhecer a cultura guna e as ilhas de San Blas com uma experiência mais exclusiva pode reservar um tour de veleiro e percorrer o arquipélago de outra perspectiva e com um toque de luxo.

 

Não perca sua culinária característica à base de mariscos. Experimente o tule masi, uma sopa de peixe e banana-da-terra, ou um pargo vermelho pescado no mesmo dia acompanhado de arroz com coco. E claro, refresque-se com uma água de coco direto do pé.

En la Isla Wailidup en San Blas, Gunayala, Panamá, puedes hospedarte en una cabaña sobre el mar.

Por que Viver Essa Experiência?

Embora tenha lutado constantemente pelo controle de seu território, o povo guna no Panamá não fecha as portas para quem deseja conhecer suas paisagens. A atividade do turismo se tornou aos poucos parte de sua economia, tendo sempre como base a autonomia comunitária.

 

Ao visitar a comarca de Gunayala, você contribui com a economia local. O povo guna vive sob um sistema econômico circular e comunitário: você precisará pagar taxas de entrada, custos de transporte, aluguel de barcos e hospedagem nas ilhas. Cada pagamento vai diretamente para as famílias da comunidade, e as atividades são regulamentadas por acordos e pelas administrações turísticas.

 

Você vai viver uma experiência completa de turismo comunitário em Gunayala, com cultura, paisagem e aventura, além de apoiar uma economia independente e um modelo de turismo sustentável e ecológico.

 

Como Chegar?

Para chegar às ilhas de San Blas a partir da Cidade do Panamá, é preciso viajar aproximadamente três horas em um veículo 4x4 até o porto de Cartí, de onde partem barcos às ilhas por trajetos cuja distância pode variar em função da ilha escolhida.

A visita à comarca de Gunayala requer a reserva antecipada de um tour. Confirme se sua operadora de turismo é certificada e tem autorização para entrar no território guna. A maioria dos tours inclui o transporte entre seu hotel e o porto ou a ilha escolhida.

Informações Importantes Antes de Fazer a Visita

Contrate sempre tours oferecidos ou autorizados por integrantes da comunidade. Reserve com antecedência, escolha o destino que deseja visitar e consulte bem os serviços incluídos.

Lembre-se que você vai visitar uma comunidade ancestral que tem suas próprias crenças, cultura e regras; vá com a mente aberta e muito respeito.

 

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